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17/09/2026

Queda de Cabelo: 10 Nutrientes Essenciais para a Saúde e Força dos Fios

Introdução

A queda de cabelo é uma queixa frequente e pode estar relacionada a diferentes fatores, incluindo predisposição genética, alterações hormonais, estresse, doenças, uso de medicamentos, alterações metabólicas e deficiências nutricionais.

Os fios de cabelo possuem uma das maiores taxas de renovação celular do organismo. Por isso, o folículo piloso depende de um fornecimento adequado de energia, proteínas, vitaminas e minerais para manter seu ciclo normal de crescimento. Micronutrientes como ferro, zinco, cobre, selênio e vitaminas do complexo B participam de diferentes processos metabólicos relacionados à atividade do folículo piloso [1,2].

Uma revisão sobre vitaminas e minerais na queda de cabelo destaca que os micronutrientes desempenham papéis importantes na proliferação celular, diferenciação, metabolismo energético e funcionamento adequado do folículo piloso [1]. Entretanto, é importante ressaltar que a suplementação apresenta maior relevância quando existe deficiência ou inadequação nutricional identificada, e não deve ser considerada um tratamento universal para todos os tipos de queda capilar [2].

Ferro: oxigenação e metabolismo do folículo

O ferro está entre os nutrientes mais estudados quando se avalia a relação entre nutrição e queda capilar.

O folículo piloso apresenta intensa atividade metabólica e necessita de oxigênio e nutrientes para sustentar a proliferação das células responsáveis pelo crescimento do fio. O ferro participa do transporte de oxigênio e de diversas reações enzimáticas essenciais ao metabolismo celular [1].

Baixos estoques de ferro, especialmente quando acompanhados de redução da ferritina, têm sido associados a determinados tipos de queda capilar, particularmente ao eflúvio telógeno.

Uma revisão sistemática e meta-análise identificou níveis significativamente menores de ferritina em indivíduos com eflúvio telógeno em comparação com controles, reforçando a importância de considerar o estado do ferro na avaliação nutricional de determinados casos de queda difusa [3].

É importante, entretanto, destacar que nem toda queda de cabelo é causada por deficiência de ferro. A avaliação deve considerar o contexto individual e, quando necessário, exames laboratoriais.

Zinco: renovação celular e integridade do folículo

O zinco participa de centenas de reações enzimáticas e exerce funções importantes na síntese de proteínas, divisão celular, expressão gênica e manutenção dos tecidos [1].

Como o folículo piloso é uma estrutura caracterizada por intensa atividade celular, o adequado fornecimento de zinco é relevante para a manutenção de sua atividade normal.

A deficiência de zinco pode provocar alterações dermatológicas e capilares. Estudos observacionais também identificaram alterações nos níveis desse mineral em indivíduos com diferentes tipos de alopecia [4].

Uma revisão sistemática publicada recentemente sobre micronutrientes e alopecia androgenética identificou o zinco entre os elementos mais frequentemente investigados na relação entre estado nutricional e saúde capilar [5].

Cobre: formação estrutural e metabolismo dos tecidos

O cobre participa de diversas enzimas envolvidas no metabolismo energético, na defesa antioxidante, no metabolismo do ferro e na formação e manutenção dos tecidos conjuntivos [1].

No contexto dos cabelos, sua importância está relacionada a processos metabólicos que contribuem para a estrutura e pigmentação dos fios.

Alterações no metabolismo do cobre podem estar associadas a manifestações envolvendo pele e cabelo. Estudos também investigaram diferenças nos níveis de cobre em indivíduos com alopecia [4].

Por participar de diversas reações enzimáticas e do metabolismo dos tecidos, o cobre integra o conjunto de minerais importantes para a manutenção da estrutura e funcionamento adequado do organismo.

Selênio: proteção antioxidante

O selênio é componente de importantes selenoproteínas, muitas delas relacionadas à defesa antioxidante e ao metabolismo celular.

Entre essas proteínas estão as glutationa peroxidases e as tioredoxina redutases, que participam da proteção das células contra danos oxidativos [1].

O folículo piloso apresenta elevada atividade metabólica e, consequentemente, depende de mecanismos eficientes de controle do estresse oxidativo. Por esse motivo, o equilíbrio adequado de nutrientes envolvidos na defesa antioxidante é relevante para a fisiologia capilar.

A literatura científica relaciona alterações nos níveis de selênio a alguns quadros de alopecia, embora a relação entre suplementação de selênio e crescimento capilar ainda não esteja completamente estabelecida [5].

Assim como ocorre com outros micronutrientes, tanto a deficiência quanto o excesso de selênio podem ser prejudiciais. A suplementação deve, portanto, respeitar quantidades adequadas.

Silício: estrutura e resistência dos fios

O silício é um elemento associado à formação e manutenção do tecido conjuntivo e vem sendo estudado em relação à estrutura dos cabelos e unhas.

Um estudo clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo avaliou mulheres com cabelos finos que receberam ácido ortossilícico estabilizado com colina durante nove meses. O grupo suplementado apresentou aumento da área transversal dos fios e melhora de parâmetros relacionados à resistência e espessura capilar [6].

Outro estudo clínico randomizado observou efeitos favoráveis sobre características relacionadas à fragilidade dos cabelos e unhas após suplementação com ácido ortossilícico estabilizado com colina [7].

Esses resultados são especialmente interessantes quando se considera a qualidade estrutural do fio, embora sejam necessários mais estudos para estabelecer o papel de diferentes formas de silício na saúde capilar.

Magnésio: metabolismo energético e atividade enzimática

O magnésio participa de centenas de reações bioquímicas, incluindo processos relacionados à produção de energia, síntese de proteínas, metabolismo de nutrientes e funcionamento enzimático [1].

As células da matriz do folículo piloso apresentam elevada atividade metabólica. Dessa maneira, o fornecimento adequado de nutrientes envolvidos no metabolismo energético e na síntese proteica é importante para o funcionamento normal dessas células.

Um estudo observacional envolvendo homens com diferentes graus de alopecia androgenética encontrou alterações nos níveis de alguns elementos-traço, incluindo zinco, cobre, magnésio e selênio [8].

Apesar desses achados, é importante interpretar estudos observacionais com cautela. A associação entre níveis de determinado mineral e queda de cabelo não significa necessariamente que a suplementação desse mineral isoladamente seja capaz de modificar a evolução da alopecia.

Biotina: metabolismo e formação das estruturas queratinizadas

A biotina, também conhecida como vitamina B7, participa como cofator de enzimas envolvidas no metabolismo de carboidratos, gorduras e aminoácidos [1].

Como o cabelo é constituído predominantemente por queratina, uma proteína estrutural, a biotina tornou-se conhecida popularmente como uma “vitamina para os cabelos”.

Entretanto, a literatura científica recomenda uma abordagem mais cuidadosa.

Uma revisão publicada em 2024 avaliou especificamente as evidências clínicas relacionadas ao uso de biotina para queda de cabelo. Os autores encontraram poucos estudos clínicos e concluíram que as evidências ainda são insuficientes para recomendar altas doses de biotina indiscriminadamente em pessoas sem deficiência [9].

Assim, a biotina é um nutriente importante para o metabolismo normal, mas seus benefícios para os cabelos são mais evidentes quando existe deficiência ou inadequação nutricional.

Vitamina A: renovação celular

A vitamina A participa da diferenciação e renovação das células epiteliais e desempenha funções importantes na manutenção da pele e dos tecidos [1].

Como o folículo piloso depende de intensa renovação celular, a vitamina A está relacionada à fisiologia normal do cabelo.

Existe, entretanto, uma característica importante: tanto a deficiência quanto o excesso de vitamina A podem estar associados a alterações capilares [1,2].

Por isso, a utilização de vitamina A deve buscar a adequação nutricional, e não simplesmente o aumento indiscriminado de sua ingestão.

Vitamina B12: divisão celular e formação das células sanguíneas

A vitamina B12 participa da síntese de DNA, divisão celular e formação normal das células sanguíneas.

Essas funções são relevantes para tecidos que apresentam elevada renovação celular, incluindo o folículo piloso [1].

Estudos observacionais investigaram a relação entre níveis de vitamina B12 e diferentes formas de queda capilar. Um estudo envolvendo pacientes com queda difusa avaliou parâmetros como TSH, ferritina e vitamina B12 em associação aos achados de fototricograma [10].

Embora esses estudos não demonstrem que a B12 isoladamente previna ou trate a queda de cabelo, eles reforçam a importância de considerar o estado nutricional durante a investigação de determinadas alterações capilares.

Vitamina B6: metabolismo de aminoácidos e proteínas

A vitamina B6 atua como cofator em numerosas reações enzimáticas, principalmente relacionadas ao metabolismo de aminoácidos e proteínas.

Essa função é relevante para o organismo porque o cabelo é formado principalmente por queratina, uma proteína estrutural rica em aminoácidos.

A deficiência de vitamina B6 não é considerada uma causa isolada comum de queda capilar, mas a manutenção de níveis adequados contribui para o funcionamento normal do metabolismo proteico e celular [1].

A literatura sobre micronutrientes e alopecia considera as vitaminas do complexo B importantes para a fisiologia do folículo, embora a força das evidências clínicas varie entre os diferentes nutrientes [5].

Vitamina B5: metabolismo energético

A vitamina B5, ou ácido pantotênico, participa da formação da coenzima A, molécula essencial para diversas vias metabólicas relacionadas à produção de energia e à síntese de compostos importantes para o organismo.

O metabolismo adequado de energia e nutrientes é fundamental para tecidos que apresentam elevada atividade celular, como o folículo piloso.

Estudos clínicos também investigaram combinações nutricionais contendo vitamina B5, biotina, L-cistina e outros componentes em pessoas com queda capilar difusa. Um estudo publicado recentemente encontrou melhora em determinados parâmetros relacionados à densidade capilar e à proporção de fios na fase anágena após 12 semanas de suplementação [11].

Como a formulação utilizada continha diversos ingredientes, entretanto, não é possível atribuir os resultados exclusivamente à vitamina B5.

Ácido hialurônico: um componente emergente na pesquisa capilar

O ácido hialurônico é um polissacarídeo naturalmente presente no organismo e um importante componente da matriz extracelular.

É conhecido principalmente por sua capacidade de contribuir para a hidratação e propriedades mecânicas dos tecidos, sendo amplamente estudado nas áreas dermatológica e cosmética.

Seu papel específico na biologia do folículo piloso é uma área mais recente de pesquisa.

Estudos experimentais vêm investigando a participação de diferentes formas de ácido hialurônico em mecanismos relacionados à regeneração folicular. Uma pesquisa publicada em 2026 demonstrou, em modelo experimental, efeitos de uma fração de ácido hialurônico sobre mecanismos associados à regeneração do folículo, envolvendo vias de sinalização relacionadas a CD44/AKT e β-catenina [12].

É importante diferenciar esses resultados experimentais de evidências clínicas em humanos. O ácido hialurônico apresenta potencial interessante para pesquisas relacionadas à saúde da pele e dos folículos, mas ainda são necessários estudos clínicos robustos para estabelecer sua eficácia oral especificamente na prevenção ou redução da queda capilar.

O cabelo precisa de equilíbrio, não de um único nutriente

Quando falamos em queda capilar, não existe um único “nutriente milagroso”.

O crescimento e a manutenção dos cabelos dependem da interação entre proteínas, vitaminas, minerais, energia, fatores genéticos, metabolismo hormonal, circulação e condições gerais do organismo.

Por isso, uma estratégia nutricional adequada deve considerar o conjunto de micronutrientes envolvidos no metabolismo do folículo.

Uma revisão publicada no Dermatology and Therapy destaca que vitaminas e minerais participam de processos fundamentais para o ciclo normal do folículo piloso, principalmente porque as células da matriz capilar apresentam elevada taxa de divisão celular [1].

Outra revisão sobre alimentação e queda de cabelo ressalta a importância de identificar deficiências nutricionais e corrigi-las quando presentes, evitando, entretanto, assumir que a suplementação será capaz de solucionar todos os tipos de queda capilar [2].

Biodisponibilidade: não basta fornecer nutrientes

Outro ponto fundamental quando se fala em suplementação nutricional é a biodisponibilidade.

Não basta que determinado nutriente esteja presente na fórmula. É necessário considerar sua forma química, solubilidade, estabilidade, interação com outros nutrientes e componentes da alimentação e as características individuais que influenciam sua absorção e utilização.

A literatura demonstra, por exemplo, que diferentes formas de um mesmo mineral podem apresentar características distintas de absorção e utilização pelo organismo.

Um exemplo relevante está nos estudos realizados com ácido ortossilícico estabilizado com colina. Nesses estudos, a forma específica de silício utilizada foi associada a alterações em parâmetros relacionados à pele, unhas e cabelos [6,7].

Portanto, uma formulação nutricional de qualidade deve considerar não apenas quais nutrientes estão presentes, mas também em que forma eles são disponibilizados.

Nutrientes em forma iônica: tecnologia para a disponibilização dos minerais

Os minerais podem ser apresentados em diferentes formas químicas. A utilização de minerais em formas iônicas constitui uma estratégia tecnológica voltada à disponibilização desses elementos em solução.

A forma química do mineral pode influenciar propriedades como solubilidade, estabilidade, absorção e interação com outros componentes da formulação.

Entretanto, é importante fazer uma distinção científica: o simples fato de um mineral estar em forma iônica não significa, por si só, que sua biodisponibilidade será superior à de todas as demais formas existentes.

A biodisponibilidade depende do mineral específico, da espécie química, da concentração, da matriz do produto, da presença de outros nutrientes e de fatores individuais.

Por isso, quando uma tecnologia utiliza nutrientes em forma iônica, seu diferencial deve ser apresentado de maneira tecnicamente responsável, relacionando a tecnologia à disponibilização, solubilidade e características da formulação, sempre que houver dados analíticos e evidências que sustentem essas características.

Uma abordagem nutricional para a saúde dos cabelos

A manutenção de cabelos saudáveis depende de uma combinação de fatores. Ferro, zinco, cobre, selênio, silício, magnésio, biotina e vitaminas A, B5, B6 e B12 participam de diferentes processos relacionados ao metabolismo celular, síntese proteica, renovação dos tecidos e funcionamento adequado do organismo [1,5].

O ácido hialurônico, por sua vez, representa uma linha mais recente de investigação científica relacionada ao ambiente cutâneo e à biologia do folículo, com resultados experimentais promissores, mas ainda com necessidade de maior comprovação clínica [12].

Uma suplementação nutricional bem formulada pode contribuir para fornecer nutrientes importantes à manutenção do organismo, especialmente quando existe inadequação nutricional ou maior necessidade.

Mais do que simplesmente reunir diversos ingredientes, uma formulação moderna deve considerar qualidade das matérias-primas, estabilidade, forma química, solubilidade, biodisponibilidade e adequada disponibilização dos nutrientes.

É nesse contexto que tecnologias de formulação que utilizam minerais em formas iônicas podem representar uma abordagem interessante para o desenvolvimento de suplementos nutricionais, desde que suas características e benefícios sejam apresentados com base em evidências científicas e dentro dos parâmetros regulatórios aplicáveis.

Conclusão

A queda capilar é multifatorial e sua investigação não deve se limitar à suplementação. Entretanto, a literatura científica demonstra que determinados micronutrientes possuem funções essenciais para o metabolismo e funcionamento normal dos tecidos relacionados aos cabelos.

Manter níveis adequados de ferro, zinco, cobre, selênio, silício, magnésio, biotina e vitaminas A, B5, B6 e B12 contribui para fornecer ao organismo os elementos necessários para diferentes processos metabólicos envolvidos na manutenção da saúde capilar [1,5].

A qualidade de uma suplementação, portanto, não está apenas na quantidade de nutrientes presentes, mas também na qualidade das matérias-primas, na forma química utilizada, na estabilidade da formulação e na capacidade de disponibilização desses nutrientes ao organismo.

Nesse sentido, a busca por maior absorção e biodisponibilidade é um dos caminhos para o desenvolvimento de formulações nutricionais mais modernas e tecnologicamente avançadas.


Bibliografia

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2. GUO, E. L.; KATTA, R. Diet and hair loss: effects of nutrient deficiency and supplement use. Dermatology Practical & Conceptual, v. 7, n. 1, p. 1–10, 2017. DOI: 10.5826/dpc.0701a01.

3. [Revisão sistemática e meta-análise sobre ferritina e eflúvio telógeno]. PubMed, 2025.

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5. ZHANG et al. Micronutrients and Androgenetic Alopecia: A Systematic Review. Molecular Nutrition & Food Research, 2024. DOI: 10.1002/mnfr.202400652.

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7. BAREL, A. et al. Effect of oral intake of choline-stabilized orthosilicic acid on hair tensile strength and morphology in women with fine hair. Archives of Dermatological Research, 2008.

8. KONDRAKHINA, I. N. et al. A Cross-sectional Study of Plasma Trace Elements and Vitamins Content in Androgenetic Alopecia in Men. Biological Trace Element Research, v. 199, p. 3232–3241, 2021. DOI: 10.1007/s12011-020-02468-2.

9. YELICH, A.; JENKINS, H.; HOLT, S.; MILLER, R. Biotin for Hair Loss: Teasing Out the Evidence. Journal of Drugs in Dermatology, 2024.

10. BILIK, L.; KOKCAM, I.; ESEN, M. Evaluation of the relationship of digital phototrichogram findings of patients with diffuse hair loss with blood TSH, ferritin and vitamin B12 levels. 2024.

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12. Medium-molecular weight hyaluronic acid orchestrates hair follicle regeneration via CD44/AKT-driven endogenous ROS activation of β-catenin. 2026.

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